NEVOEIRO
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a hora!
Fernando Pessoa
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal
Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal
Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; ou, se se preferir, há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.
Outro é o português que o não é. Começou com a invasão mental estrangeira, que data, com verdade possível, do tempo do Marquês de Pombal. Esta invasão agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a República. Este português (que é o que forma grande parte das classes médias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) é o que governa o país. Está completamente divorciado do país que governa. É, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, é estúpido.
Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas de El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas, criou a civilização transoceânica moderna, e depois foi-se embora. Foi-se embora em Alcácer Quibir, mas deixou alguns parentes, que têm estado sempre, e continuam estando, à espera dele. Como o último verdadeiro Rei de Portugal foi aquele D. Sebastião que caiu em Alcácer Quibir, e presumivelmente ali morreu, é no símbolo do regresso de El-Rei D. Sebastião que os portugueses da saudade imperial projectam a sua fé de que a famí1ia se não extinguisse.
Estes três tipos do português têm uma mentalidade comum, pois são todos portugueses mas o uso que fazem dessa mentalidade diferencia-os entre si. O português, no seu fundo psíquico, define-se, com razoável aproximação, por três característicos: (1) o predomínio da imaginação sobre a inteligência; (2) o predomínio da emoção sobre a paixão; (3) a adaptabilidade instintiva. Pelo primeiro característico distingue-se, por contraste, do ego antigo, com quem se parece muito na rapidez da adaptação e na consequente inconstância e mobilidade. Pelo segundo característico distingue-se, por contraste, do espanhol médio, com quem se parece na intensidade e tipo do sentimento. Pelo terceiro distingue-se do alemão médio; parece-se com ele na adaptabilidade, mas a do alemão é racional e firme, a do português instintiva e instável.
A cada um destes tipos de português corresponde um tipo de literatura.
O português do primeiro tipo é exactamente isto, pois é ele o português normal e típico. O português do tipo oficial é a mesma coisa com água; a imaginação continuará a predominar sobre a inteligência, mas não existe; a emoção continua a predominar sobre a paixão, mas não tem força para predominar sobre coisa nenhuma; a adaptabilidade mantém-se, mas é puramente superficial — de assimilador, o português, neste caso, torna-se simplesmente mimético.
O português do tipo imperial absorve a inteligência com a imaginação — a imaginação é tão forte que, por assim dizer, integra a inteligência em si, formando uma espécie de nova qualidade mental. Daí os Descobrimentos, que são um emprego intelectual, até prático, da imaginação. Daí a falta de grande literatura nesse tempo (pois Camões, conquanto grande, não está, nas letras, à altura em que estão nos feitos o Infante D. Henrique e o imperador Afonso de Albuquerque, criadores respectivamente do mundo moderno e do imperialismo moderno) (?). E esta nova espécie de mentalidade influi nas outras duas qualidades mentais do português: por influência dela a adaptabilidade torna-se activa, em vez de passiva, e o que era habilidade para fazer tudo torna-se habilidade para ser tudo.
Fernando Pessoa
Há três espécies de Portugal, dentro do mesmo Portugal; ou, se se preferir, há três espécies de português. Um começou com a nacionalidade: é o português típico, que forma o fundo da nação e o da sua expansão numérica, trabalhando obscura e modestamente em Portugal e por toda a parte de todas as partes do Mundo. Este português encontra-se, desde 1578, divorciado de todos os governos e abandonado por todos. Existe porque existe, e é por isso que a nação existe também.
Outro é o português que o não é. Começou com a invasão mental estrangeira, que data, com verdade possível, do tempo do Marquês de Pombal. Esta invasão agravou-se com o Constitucionalismo, e tornou-se completa com a República. Este português (que é o que forma grande parte das classes médias superiores, certa parte do povo, e quase toda a gente das classes dirigentes) é o que governa o país. Está completamente divorciado do país que governa. É, por sua vontade, parisiense e moderno. Contra sua vontade, é estúpido.
Há um terceiro português, que começou a existir quando Portugal, por alturas de El-Rei D. Dinis, começou, de Nação, a esboçar-se Império. Esse português fez as Descobertas, criou a civilização transoceânica moderna, e depois foi-se embora. Foi-se embora em Alcácer Quibir, mas deixou alguns parentes, que têm estado sempre, e continuam estando, à espera dele. Como o último verdadeiro Rei de Portugal foi aquele D. Sebastião que caiu em Alcácer Quibir, e presumivelmente ali morreu, é no símbolo do regresso de El-Rei D. Sebastião que os portugueses da saudade imperial projectam a sua fé de que a famí1ia se não extinguisse.
Estes três tipos do português têm uma mentalidade comum, pois são todos portugueses mas o uso que fazem dessa mentalidade diferencia-os entre si. O português, no seu fundo psíquico, define-se, com razoável aproximação, por três característicos: (1) o predomínio da imaginação sobre a inteligência; (2) o predomínio da emoção sobre a paixão; (3) a adaptabilidade instintiva. Pelo primeiro característico distingue-se, por contraste, do ego antigo, com quem se parece muito na rapidez da adaptação e na consequente inconstância e mobilidade. Pelo segundo característico distingue-se, por contraste, do espanhol médio, com quem se parece na intensidade e tipo do sentimento. Pelo terceiro distingue-se do alemão médio; parece-se com ele na adaptabilidade, mas a do alemão é racional e firme, a do português instintiva e instável.
A cada um destes tipos de português corresponde um tipo de literatura.
O português do primeiro tipo é exactamente isto, pois é ele o português normal e típico. O português do tipo oficial é a mesma coisa com água; a imaginação continuará a predominar sobre a inteligência, mas não existe; a emoção continua a predominar sobre a paixão, mas não tem força para predominar sobre coisa nenhuma; a adaptabilidade mantém-se, mas é puramente superficial — de assimilador, o português, neste caso, torna-se simplesmente mimético.
O português do tipo imperial absorve a inteligência com a imaginação — a imaginação é tão forte que, por assim dizer, integra a inteligência em si, formando uma espécie de nova qualidade mental. Daí os Descobrimentos, que são um emprego intelectual, até prático, da imaginação. Daí a falta de grande literatura nesse tempo (pois Camões, conquanto grande, não está, nas letras, à altura em que estão nos feitos o Infante D. Henrique e o imperador Afonso de Albuquerque, criadores respectivamente do mundo moderno e do imperialismo moderno) (?). E esta nova espécie de mentalidade influi nas outras duas qualidades mentais do português: por influência dela a adaptabilidade torna-se activa, em vez de passiva, e o que era habilidade para fazer tudo torna-se habilidade para ser tudo.
Fernando Pessoa
Pessoa
O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo.
O que há é pouca gente para dar por isso.
óóóó — óóóóóóóóó — óóóóóóóóóóóóóóó
(O vento lá fora).
Álvaro de Campos
O que há é pouca gente para dar por isso.
óóóó — óóóóóóóóó — óóóóóóóóóóóóóóó
(O vento lá fora).
Álvaro de Campos
domingo, 28 de novembro de 2010
A reforma de Lisboa e o exemplo para o país
A divisão administrativa de Lisboa data de 1959 quando se operou a última adequação à realidade urbana e demográfica de então. A anterior reforma administrativa datava do final do século XIX, século em que várias alterações ocorreram, incluindo aos limites do concelho.Nos últimos cinquenta anos verificaram-se alterações muito significativas em Lisboa, quer do ponto de vista urbanístico quer em termos demográficos. Neste pressuposto, a divisão administrativa da cidade pode ser novamente modernizada tendo também em conta novas exigências da população.
Mas se a divisão administrativa pode ser actualizada com o objectivo de tornar as freguesias mais adequadas à realidade, também as suas competências próprias devem ser aprofundadas. As freguesias são as estruturas da administração mais próximas dos cidadãos. Pela sua natureza são as organizações mais aptas para dar resposta rápida e adequada às solicitações das populações. Neste sentido, o reforço das competências das freguesias concorre para uma resposta mais eficaz e mais eficiente aos cidadãos.
Em Lisboa, a reforma administrativa pode conduzir a um melhor desempenho da administração local. Mas desejavelmente, as referidas alterações devem ser abordadas num contexto mais alargado. Desde logo no âmbito da Área Metropolitana de Lisboa, mas também no resto do país. Por outro lado, deverá ser repensado o quadro de competências das autarquias que deve ser alterado, não continuando a tratar de forma igual realidades e necessidades diferentes em função, por exemplo, de freguesias dos grandes centros urbanos ou de zonas rurais.
A reforma administrativa em Lisboa pode ser o motor para a modernização do poder local em todo o país. Queiram os promotores a mudança e não o protagonismo pessoal.
Crónica publicada na edição de Novembro do Jornal de Lisboa
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Novos monumentos nacionais em Lisboa


Na semana passada o Governo aprovou a classificação de quatro novos monumentos nacionais.
Para além do Campo da Batalha de Aljubarrota, onde D. Nuno Álvares Pereira derrotou os castelhanos utilizando a célebre táctica do quadrado, foram adicionados ao inventário dos monumentos nacionais mais três referências na cidade de Lisboa.
A Igreja do Coração de Jesus da autoria de Nuno Teotónio Pereira e Nuno Portas, o Jardim Botânico e o edifício-sede e parque envolvente da Fundação Calouste Gulbenkian são agora monumentos nacionais.
Esta classificação aumenta a salvaguarda e protecção destes edifícios impondo condicionamento a alterações em zonas adjacentes que passam a ser consideradas zonas de protecção aos monumentos nacionais.
Lisboa está de parabéns. Saiba agora a cidade e os seus responsáveis respeitar estas classificações.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Os negócios dos logradouros em Lisboa
Na passada quarta-feira foi noticiado o facto de se estarem a verificar negociações entre o vereador Manuel Salgado e o Arq. Ribeiro Telles sobre os logradouros de Lisboa.
Tal como a notícia apresenta a questão, parece que a salvaguarda dos logradouros em Lisboa é matéria "negociável" para o a Câmara mas também para o Arq. Ribeiro Telles.
Não acredito que seja verdade que os valores de sustentabilidade ambiental que defendem os logradouros na cidade, e que o importante papel ecológico destes espaços sejam "negociáveis" para Ribeiro Telles. Podem ser para outros que se dizem representar o que o professor defende, mas não para o próprio.
Tal como a notícia apresenta a questão, parece que a salvaguarda dos logradouros em Lisboa é matéria "negociável" para o a Câmara mas também para o Arq. Ribeiro Telles.
Não acredito que seja verdade que os valores de sustentabilidade ambiental que defendem os logradouros na cidade, e que o importante papel ecológico destes espaços sejam "negociáveis" para Ribeiro Telles. Podem ser para outros que se dizem representar o que o professor defende, mas não para o próprio.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Inundações em Lisboa
Depois da tempestade da semana passada, mas com mais um inverno a aproximar-se, vale a pena recordar, com serenidade e sem demagogia, o que se passou recentemente em Lisboa com a chuva intensa a provocar inundações com graves danos na grande lisboa e em particular na capital.
O problema das inundações em Lisboa é muito mais do que um problema de falta de limpeza de sarjetas. Está relacionado com o mau planeamento urbano ou ausência deste e erros crassos de urbanização cometidos durante muitos anos. A título de exemplo, recorde-se a urbanização nos anos 90 ao longo da Avenida de Ceuta - leito de cheia onde as mais elementares regras de planeamento urbanístico são muito claras quanto à inibição de ocupação.
Mas a realidade é a que é e, como se disse, resulta de uma sucessão de acções ao longo de muito tempo. Importa evitar a acumulação de mais erros, procurar soluções que permitam minimizar as suas consequências e implementa-las.
Em 2007 encontrava-se praticamente concluído em Lisboa o Plano Geral de Drenagem da Cidade de Lisboa. Um plano que pretendeu identificar os problemas da rede de saneamento bem como, em geral, os problemas relacionados com o comportamento da cidade em relação à chuva e ocorrência de inundações. Foi um estudo tão ambicioso quanto fundamental para a cidade. Um trabalho que veio preencher uma lacuna sobre o conhecimento da cidade de Lisboa.
O Plano Geral de Drenagem da Cidade de Lisboa prevê a necessidade de investimentos para os quais definia um plano ao longo de 12 anos e que totalizavam cerca de 140 milhões de euros.
Em 2008 a Câmara anunciou o início do investimento previsto no Plano de Drenagem aprovado em 2010. O que se constata é que esse investimento tão importante para Lisboa não teve qualquer concretização.
Num período de dificuldades financeiras no país e por consequência em Lisboa, mais do que nunca importa ser selectivo nos investimentos públicos. Em Lisboa, parece indiscutivel que a prioridade deve ser dada ao investimento na execução do Plano Geral de Drenagem de Lisboa.
sábado, 30 de outubro de 2010
Uma atitude em defesa das famílias
Independentemente de outras considerações, com a aceitação da retoma das negociações, o PSD conseguiu atenuar o impacto negativo do orçamento proposto pelo Governo para as famílias portuguesas.
O PSD, ao impôr como condições para a viabilização do Orçamento para 2011 a não introdução de limites ás deduções em sede de IRS e a manutenção da taxa de 6% de IVA para produtos alimentares de primeira necessidade, fez mais pela defesa das famílias que o CDS que resolveu apenas dizer que votava contra o orçamento.
O PSD, ao impôr como condições para a viabilização do Orçamento para 2011 a não introdução de limites ás deduções em sede de IRS e a manutenção da taxa de 6% de IVA para produtos alimentares de primeira necessidade, fez mais pela defesa das famílias que o CDS que resolveu apenas dizer que votava contra o orçamento.
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Notas sobre o fim da negociação do Orçamento de Estado
Resguardar as famílias do aumento de 6 para 23% de bens alimentares essenciais e não as prejudicar (especialmente as mais numerosas) com uma limitação cega das deduções com educação, saúde e habitação sem ter em conta o número de membros do agregado familiar, era o mínimo. Até isto o Governo recusou.
Depois do esforço de Pedro Passos Coelho que inclusivamente abdicou das posições iniciais com o risco de ser criticado por ter modado a sua posição, não é justo continuar a pressionar o PSD para viabilizar o Orçamento. Porque não pressionam o governo?! É inadmissível a atitude de banqueiros, presidente da comissão europeia, etc...
Agora colocam-se dois caminhos: Se o PSD chumba o orçamento vai ser acusado do descalabro económico do país e das contas públicas que, diga-se, é inevitável mesmo com orçamento. Se o viabiliza será acusado de ser cúmplice desse mesmo descalabro. E ainda será brindado com críticas no interior do PSD, ironicamente, daqueles que defenderam a viabilização do orçamento sem alterações. Ambas as alternativas serão ingratas para Pedro Passos Coelho. Mas o país precisa, mais que nunca de um líder capaz de resistir à adversidade. Só resistindo demonstrará estar preparado para enfrentar a adversidade no governo do país.
Depois do esforço de Pedro Passos Coelho que inclusivamente abdicou das posições iniciais com o risco de ser criticado por ter modado a sua posição, não é justo continuar a pressionar o PSD para viabilizar o Orçamento. Porque não pressionam o governo?! É inadmissível a atitude de banqueiros, presidente da comissão europeia, etc...
Agora colocam-se dois caminhos: Se o PSD chumba o orçamento vai ser acusado do descalabro económico do país e das contas públicas que, diga-se, é inevitável mesmo com orçamento. Se o viabiliza será acusado de ser cúmplice desse mesmo descalabro. E ainda será brindado com críticas no interior do PSD, ironicamente, daqueles que defenderam a viabilização do orçamento sem alterações. Ambas as alternativas serão ingratas para Pedro Passos Coelho. Mas o país precisa, mais que nunca de um líder capaz de resistir à adversidade. Só resistindo demonstrará estar preparado para enfrentar a adversidade no governo do país.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
sábado, 23 de outubro de 2010
Prova

Neste Casal da Coelheira tinto há mais intensidade, mais profundidade e persistência.
Criado utilizando apenas a melhor uva das vinhas da Quinta do Casal da Coelheira, depois de fermentado estagia durante 12 meses em barricas de carvalho Francês e Americano.
Este Reserva é um vinho encorpado, num estilo frutado, onde a frescura transmitida pela acidez está em equilibrio com taninos sólidos.
Ao guardar irá ganhar complexidade com 8 a 10 anos de garrafa, mas está perfeito para beber, sendo preferível para refeições mais ricas, como pratos de borrego ou de caça vermelha.
in Casal da Coelheira
Criado utilizando apenas a melhor uva das vinhas da Quinta do Casal da Coelheira, depois de fermentado estagia durante 12 meses em barricas de carvalho Francês e Americano.
Este Reserva é um vinho encorpado, num estilo frutado, onde a frescura transmitida pela acidez está em equilibrio com taninos sólidos.
Ao guardar irá ganhar complexidade com 8 a 10 anos de garrafa, mas está perfeito para beber, sendo preferível para refeições mais ricas, como pratos de borrego ou de caça vermelha.
in Casal da Coelheira
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
As derrotas de António Costa são as vitórias de Lisboa
Nos últimos meses algumas das principais apostas de António Costa caíram. Felizmente para a cidade, o presidente da câmara foi derrotado em várias frentes.Primeiro o Terminal de Contentores de Alcântara. Um negócio pouco claro, uma obra prejudicial para a cidade e para os lisboetas que impunha uma barreira de contentores e que despejava centenas de camiões na cidade. Um projecto que António Costa apoiou, colocando-se ao lado do governo e do interesse de privados contra o interesse da cidade. Perdeu.
Depois era a mudança do IPO para o parque da Belavista. Uma promessa à medida da sua campanha eleitoral do partido socialista em que o governo foi cúmplice, chegou a ter até uma placa anunciando as futuras instalações, bem conveniente para a campanha eleitoral. Um ano depois o IPO fica onde se encontra e António Costa, uma vez mais, perdeu.
Recentemente a anulação do concurso para a Alta Velocidade. Também aqui o presidente da câmara foi derrotado.
Era uma solução prejudicial para os lisboetas e que impunha à cidade a entrada de dezenas de milhar de viaturas para o centro da cidade. Afinal o próprio governo disse que esta não era uma boa solução e desistiu dela.
Esta anulação é uma oportunidade para corrijir os erros, para ponderar outras propostas, para escutar especialistas. Uma oportunidade para encontrar soluções alternativas menos onerosas para o erário público mas, principalmente, menos penalizadoras para a cidade de Lisboa.
Lisboa não tem hoje um presidente da câmara que defenda os seus interesses. Tem, infelizmente, um comissário do PS a facilitar as iniciativas do governo mesmo quando estas prejudicam a cidade. Lisboa tem hoje um presidente da câmara concentrado em criar condições para tentar desempenhar um papel de responsabilidade nacional.
texto publicado na edição de Outubro do Jornal de Lisboa
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Catástrofe ecológica na Europa
Está a passar mais ou menos despercebida em Portugal uma enorme catástrofe ecológica na Hungria mas que poderáter impactoem vários países europeus.
Trata-se da libertação de cerca de um milhão de metros cúbicos de lamas altamente tóxicas que varreram uma localidade deixandocentenas de desalojados, vários mortos, centenas deferidos com queimaduras resultantes do contacto com as referidas lamas altamente alcalinas e contendo concentrações elevadas de metais pesados.
Esta torrente de lamas venenosas têm-se infiltrado nos terrenos, contaminado poços e linhas de água tendo já contaminado o rio Danúbio que atravessa vários países europeus desaguando no Mar Negro.
As consequências ainda não estão avaliadas mas, para além dos danos imediatos, a contaminação da água e dod terrenos inibirão a agricultura e provocará riscos incontroláveis para a saúde durante décadas.
"Só" isto e no entanto tão pouca atenção...
Mais informação aqui:
http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1459868
http://edition.cnn.com/2010/WORLD/europe/10/07/hungary.toxic/index.html
http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-11491412
Trata-se da libertação de cerca de um milhão de metros cúbicos de lamas altamente tóxicas que varreram uma localidade deixandocentenas de desalojados, vários mortos, centenas deferidos com queimaduras resultantes do contacto com as referidas lamas altamente alcalinas e contendo concentrações elevadas de metais pesados.
Esta torrente de lamas venenosas têm-se infiltrado nos terrenos, contaminado poços e linhas de água tendo já contaminado o rio Danúbio que atravessa vários países europeus desaguando no Mar Negro.
As consequências ainda não estão avaliadas mas, para além dos danos imediatos, a contaminação da água e dod terrenos inibirão a agricultura e provocará riscos incontroláveis para a saúde durante décadas.
"Só" isto e no entanto tão pouca atenção...
Mais informação aqui:
http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1459868
http://edition.cnn.com/2010/WORLD/europe/10/07/hungary.toxic/index.html
http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-11491412
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Escudo El-Rei Dom Afonso Henriques

De acordo com Trindade Coelho (Manual Politico do Cidadão Portuguez. Porto, 1908. 2ª edição, actualisada e muito augmentada), entre o escudo do Conde Dom Henrique e o de Dom Sancho I (comprovado pelos seus selos reais, entre outras fontes), deu-se «uma evolução natural que pode ser attribuida à alteração feita por Dom Affonso Henriques, no seu escudo, quando foi aclamado rei.»
Segundo esta tradição, deu-se então em 1143 «a entrada de um elemento novo na composição do brasão» ... «os besantes ou dinheiros», cujo significado heráldico é o de resgate (pago pela libertação do cavaleiro que os ostentar no seu escudo, certamente não o caso de Ibn Anrik, que nunca caiu nas mão dos mouros...) ou o direito de cunhar moeda (o que se aplica certamente a um recém aclamado rei).
Ainda de acordo com Trindade Coelho, «é de boa regra» heráldica «carregarem-se as cruzes com cinco peças ou cinco grupos de peças iguais,» ... «pregando prégos de prata sobre» as tiras de couro tingido de azul que adornava o escudo real. «Poderemos concluir sem esforço, que, ao termo da carreira militar de Dom Affonso deveria estar muito damnificado o seu escudo. O couro teria naturalmente desaparecido nos logares em que não estava protegido pelo prégos, e o aspecto geral do escudo seria igual ao sello de Dom Sancho I.» «O facto de não repararem os cavaleiros da Edade Média os damnos soffridos em suas armas» ... «está perfeitamente averiguado; como também se prova haveram os sucessores continuado a usar as armas paternas sem as restaurarem d'aquellas ruinas.»
in História da bandeira de Portugal
Segundo esta tradição, deu-se então em 1143 «a entrada de um elemento novo na composição do brasão» ... «os besantes ou dinheiros», cujo significado heráldico é o de resgate (pago pela libertação do cavaleiro que os ostentar no seu escudo, certamente não o caso de Ibn Anrik, que nunca caiu nas mão dos mouros...) ou o direito de cunhar moeda (o que se aplica certamente a um recém aclamado rei).
Ainda de acordo com Trindade Coelho, «é de boa regra» heráldica «carregarem-se as cruzes com cinco peças ou cinco grupos de peças iguais,» ... «pregando prégos de prata sobre» as tiras de couro tingido de azul que adornava o escudo real. «Poderemos concluir sem esforço, que, ao termo da carreira militar de Dom Affonso deveria estar muito damnificado o seu escudo. O couro teria naturalmente desaparecido nos logares em que não estava protegido pelo prégos, e o aspecto geral do escudo seria igual ao sello de Dom Sancho I.» «O facto de não repararem os cavaleiros da Edade Média os damnos soffridos em suas armas» ... «está perfeitamente averiguado; como também se prova haveram os sucessores continuado a usar as armas paternas sem as restaurarem d'aquellas ruinas.»
in História da bandeira de Portugal
5 de Outubro de 1143



O Tratado de Zamora consistiu numa Conferência de Paz realizada entre D. Afonso Henriques e seu primo o Rei D. Afonso VII de Leão e Castela, a 5 de Outubro de 1143. É a partir desta data que se assinala a independência de Portugal perante Leão e Castela e dá-se o início da Dinastia Afonsina ou Dinastia de Borgonha. Um grande impulsionador desta Conferência de Paz foi o Senhor Arcebispo de Braga, Dom João Peculiar que auxiliou D. Afonso Henriques no sentido da formação do novo Reino de Portugal porque assistiu às glórias dele, e viu que ele era um homem forte e corajoso, feito pela liderar e reinar, portanto, não poderia ser jamais submisso de Leão e Castela!Por isso, Dom João Peculiar promoveu em Zamora nos dias 4 e 5 de Outubro, o encontro de D. Afonso Henriques com D.Afonso VII de Leão e Castela perante a presença do Senhor Cardeal Guido de Vico. Segundo a tradição, este Cardeal e emissário do Papa Inocêncio II pretendeu ali harmonizar os dois primos, cujas desavenças e rivalidades favoreciam os Mouros e colocavam em perigo a Cristandade. Os dois primos, nessa Conferência de Paz de que resultou o célebre Tratado de Zamora, prometeram paz duradoura entre eles. Ficou também estabelecido o seguinte: o Soberano D.Afonso VII de Leão e Castela reconheceu e confirmou a Soberania Portuguesa, visto que considerou D.Afonso Henriques como Rei de Portugal (Portucale), apesar de na prática D.Afonso Henriques já usar o título de Rei desde 1140; e D.Afonso Henriques, por sua vez, comprometeu-se perante o Senhor Cardeal Guido de Vico a ser vassalo da Santa Sé, tendo ele e os seus descendentes a obrigação de pagar um censo anual à Igreja, de 4 onças de ouro (para melhor garantia de independencia nacional e firmeza da Coroa). Numa carta de Dezembro de 1143, D.Afonso Henriques escreveu uma carta ao Papa a afirmar e formalizar que se considerava a ele e a todos os seus sucessores como «Censual» da Igreja de Roma, e na qual se declarava a si próprio «homem e Cavaleiro do Papa e de São Pedro, sob a condição de a Santa Sé o defender de quaisquer outros poderes eclesiásticos ou civis».
No entanto, apesar de D.Afonso VII de Leão e Castela ter reconhecido a Soberania Portuguesa em 1143, só a 23 de Maio de 1179 é que o Papa Alexandre III a reconheceu pela Bula Manifestis Probatum, na qual D.Afonso Henriques é reconhecido como Rei de facto e de Direito do território português. No entanto, pelo Tratado firmado em Zamora a 5 de Outubro de 1143, a nossa Soberania e Independência já estavam mais que garantidas. Sem dúvida que este acontecimento consistiu na génese construtiva de uma nova identidade, de um novo Reino, e é isto o que mais importa assinalar e comemorar no dia 5 de Outubro.
Assinar:
Postagens (Atom)