sábado, 27 de junho de 2009

Esconder as promessas não cumpridas...


Há duas semanas chamei a atenção aqui para uma obra na Alta de Lisboa cuja conclusão tinha sido anunciada para Abril mas que continuava por terminar. O cartaz lá estava.

Agora, diligentemente, esconderam a publicidade enganosa, mas a obra, essa continua por terminar...




Em 30 de Maio


Em 27 de Junho

Eleições em dias diferentes

Depois de o Governo ter anunciado a data das eleições autárquicas para o dia 11 de Outubro, o Presidente da República marcou as eleições legislativas para o dia 27 de Setembro.

Deste modo, a campanha eleitoral para as eleições legislativas decorrerá entre os dias 12 e 25 de Setembro e a campanha eleitoral para as eleições autárquicas ficará compreendida entre os dias 28 de Setembro e 9 de Outubro.

Embora sendo favorável, por princípio, à simultaneidade de eleições (como sucede na maioria dos países ditos desenvolvidos), creio que Cavaco Silva procedeu bem. Ao ser confrontado com o facto de todos os partidos com assento parlamentar excepto o PSD serem favoráveis à realização das eleições em datas separadas, seria sempre complexo e geraria ruído desnecessário a justificação de uma decisão que contrariasse a esmagadora maioria dos participantes nesses mesmos actos eleitorais.

Nestas circusntâncias, julgo que se correrá o risco de se verificar uma elevada abstenção nas eleições autárquicas. Com três actos eleitorais num espaço de 4 meses e com as eleições autárquicas apenas 15 dias após as legislativas a saturação dos eleitores em relação às eleições pode conduzir a que as eleições possam sofrer com uma fraca participação.

Por outro lado, em relação ao argumento de que a simultaneidade impedia a discussão separada das questões nacionais e locais, creio que se pode manter mesmo com a separação das datas. Recordo que durante o período de campanha eleitoral autárquica poderá estar em discussão a formação de uma maioria parlamentar com maior ou menor polémica caso não se verifique nenhuma maioria absoluta.

M 80



Verão Azul, 1981

quinta-feira, 25 de junho de 2009

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Vale tudo!


O Parque da Bela Vista receberá um evento de promoção de um hipermercado no próximo Sábado. É um almoço com um concerto de Tony Carreira no âmbito de uma campanha publicitária do hipermercado Modelo

O Parque da Bela Vista é um espaço público municipal cuja responsabilidade é do vereador com o pelouro dos espaços verdes - José Sá Fernandes.

Sim, o mesmo Sá Fernandes que tanto criticou a realização do Rock in Rio naquele espaço, agora parece que não só autoriza, como apoia e até é co-organizador do concerto de Tony Carreira num período pré-eleitoral tão conveniente... Não há palavras para tamanha falta de coerência, para tanto oportunismo.

Mas também não posso deixar de registar a passividade (suponho que concordância) de todos quantos no passado fizeram questão de criticar, de atacar com tanta militância e agressividade a utilização daquele espaço para a realização de eventos musicais e culturais e de lazer.

Então e onde está o protocolo para realização do evento previamente discutido em reunião da CML? Esqueceam-se... E o acompanhamento do Observatório do Parque da Bela Vista? Já não é preciso... E quais são as contrapartidas? Depois veremos... E a isenção de taxas proposta à Assembleia Municipal? ? Não me digam que o Modelo vai pagar taxas? Claro que não!

Este concerto de Tony Carreira é uma organização conjunta dos hipermercados Modelo e da câmara municipal... Extraordinário! Mas agora tudo é permitido. Agora vale tudo!

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Lisboa - navegação à vista

O actual mandato da Câmara Municipal de Lisboa fica marcado por um conjunto de intervenções em Lisboa que prejudicam a cidade e que têm em comum o facto de serem de iniciativa do governo, mas que contaram com o apoio empenhado do actual presidente da câmara. Aliás, à falta de obra para apresentar, António Costa julgou poder capitalizar com estas intervenções.

Primeiro a terceira travessia do Tejo, depois a ampliação do terminal de contentores de Alcântara, mais recentemente a intervenção no Terreiro do Paço. Em todos os casos, António Costa, que começou por ser apoiante entusiasta daquelas intervenções na cidade, percebeu que eram intervenções amplamente condenadas pelos munícipes e pela opinião pública. Então, rapidamente procurou mudar de opinião e encenar aparentes discordâncias para logo de seguida aparecer como responsável pelas alterações (na verdade apenas cosméticas) impostas aos projectos.

Com a terceira travessia do Tejo, António Costa acabou a reivindicar que a ponte baixasse dois ou três metros e que fosse incluída a patética pista ciclável na ponte. Mas mantêm-se as dezenas de milhares de automóveis a entrar diariamente na cidade. No caso do terminal de contentores prometeu um jardim enquanto a operadora não necessite do espaço e exigiu uns corredores para se ver o rio entre os contentores. Mas mantém-se o muro de contentores e o aumento dos camiões em Lisboa. Quanto ao Terreiro do Paço afinal já não acha o projecto magnífico e provavelmente acabará a condenar a intervenção.

Lisboa é governada ao sabor de iniciativas de terceiros e condicionada pelas reacções em cada momento, sem iniciativa própria e com obsessão pela popularidade e pelas consequências eleitorais.


texto publicado no jornal Meia Hora

terça-feira, 9 de junho de 2009

M 80



Zx Spectrum, 1982

domingo, 7 de junho de 2009

Às pressas...

Sá Fernandes parece que pôs tudo num virote. Anda frenético a tentar deixar umas obras. De tanta precipitação anda a falhar os prazos. Já não se percebe bem se o importante é anunciar que se fez mesmo sem ter concluído ou fazer alguma coisa com princípio meio e FIM...

Esta foto foi tirada no dia 30 de Maio... Atentem na data que está no vistoso cartaz na Alta de Lisboa...


quinta-feira, 4 de junho de 2009

Terreiro do Paço - direito à indignação

O estudo prévio do projecto do Terreiro do Paço foi aprovado em reunião da câmara municipal de Lisboa na passada semana.

A proposta apresentada impõe alterações significativas na praça, modificando o pavimento nos materiais, no desenho e até em altura. Altera as circulações e a configuração da zona central, chegando a propor a criação de degraus.

O Terreiro do Paço é a praça mais importante da cidade e seguramente uma das mais importantes do país.

Não é aceitável que a intervenção seja da iniciativa de uma sociedade criada pelo governo sem participação da câmara municipal no capital ou na administração, mas que serve os intuitos do presidente da câmara e conta com a sua aprovação.

Não é compreensível que alterações num espaço tão relevante para a cidade sejam efectuadas sem concurso.

Não é admissível que uma operação tão profunda naquela praça não seja precedida de uma ampla e participada discussão pública.

A pressa, o desespero em querer apresentar obra, qualquer obra para as eleições autárquicas, quando durante todo o mandato nada fez na cidade, leva António Costa a agir de forma irresponsável e a desrespeitar a cidade e os lisboetas.

Não pode, alguém que passa pela presidência da câmara, em fim de mandato, e por razões eleitoralistas, usar a praça mais importante da cidade como instrumento para iludir os lisboetas com obras que ficaram por fazer na cidade.

Perante a situação de atropelo às mais elementares regras de bom senso e de responsabilidade no governo da cidade, os lisboetas têm de se mobilizar para travar este atentado à cidade de Lisboa. Para além da indignação temos de agir! Temos de parar esta irresponsabilidade.


texto publicado no jornal Meia Hora

quinta-feira, 28 de maio de 2009

M 80


Cubo de Rubik

Contas de verdade

Desde de 2007, com as eleições intercalares em Lisboa, foi sendo construída a ideia de que os anos de gestão do PSD foram despesistas. Foi uma estratégia deliberada e que serviu para que o PS vencesse as eleições de então. Baseada em interpretações equívocas mas muito úteis para o PS, numa situação em que o PSD se encontrava fragilizado, a ideia de que foi a gestão de Santana Lopes que aumentou o endividamento da câmara instalou-se. Esta é uma ideia errada. Não corresponde à verdade. O partido socialista sabe-o melhor que ninguém, mas serviu para que António Costa ganhasse e para branquear a gestão, essa sim despesista, do próprio partido socialista durante os doze anos seguidos que governou em maioria absoluta a câmara de Lisboa.

O passivo oficial da CML em 2002, quando o PSD assumiu responsabilidades, era de cerca de 560 milhões de euros. Mas na verdade era já muito superior. Descobriram-se facturas não contabilizadas, compromissos assumidos sem documentos, obras realizadas sem processos, etc. Tudo somado, afinal, o que eram aparentemente 560 milhões eram na verdade perto de 1000 milhões de euros de passivo de responsabilidade socialista. Esta foi a situação de partida do mandato de Pedro Santana Lopes que agora António Costa quer colar ao PSD mas que é da responsabilidade do seu próprio partido.

Agora que o período eleitoral autárquico se aproxima, é muito importante saber com que contas se parte. Vale a pena assumir a verdade. Quem governa assume responsabilidades de gestões anteriores e transmite novas responsabilidades às gestões futuras. Como na vida, o importante é que se faça com verdade. Quem tem medo da verdade?


texto publicado no jornal Meia Hora

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Biodiversidade


22 de Maio – Dia Internacional da Diversidade Biológica

Criado em 1993 pelas Nações Unidas, o Dia Internacional da Diversidade Biológica visa chamar a atenção para a importância da conservação da biodiversidade, convidando em 2009 à reflexão sobre os efeitos nocivos das espécies exóticas invasoras.

As Nações Unidas proclamaram o dia 22 de Maio como o Dia Internacional da Diversidade Biológica com o intuito de promover a consciencialização da sociedade relativamente aos problemas que a biodiversidade enfrenta actualmente.

Quando criada em 1993 e nos anos que se seguiram a ocasião celebrou-se a 29 de Dezembro, dia da entrada em vigor da Convenção sobre a Diversidade Biológica em 1993. No entanto, no ano 2000 a Assembleia Geral das Nações Unidas alterou a data de celebração para 22 de Maio, data em que o texto da convenção foi aprovado em 1992. Isto deveu-se, em parte, à impraticabilidade da data original, coincidindo com o período festivo do fim do ano, o que dificultava a organização das celebrações.

Depois de em 2007 o dia ter sido dedicado ao tema da Biodiversidade e Alterações Climáticas e de em 2008 ter sido focada a relação entre a Biodiversidade e a Agricultura, em 2009 o dia 22 de Maio convida à reflexão sobre as espécies exóticas invasoras e os seus efeitos nocivos sobre a Biodiversidade (saiba mais sobre o tema em www.cbd.int/idb/2009).


quinta-feira, 21 de maio de 2009

MUDE

No dia 21 de Maio é inaugurado o MUDE - Museu do Design e da Moda em Lisboa. Este museu resulta da colecção de Francisco Capelo e reúne um dos mais importantes conjuntos de peças representativas do design e da moda do mundo no século XX. Lisboa junta à sua importante oferta cultural um museu de dimensão internacional. É um facto relevante no quadro da valorização da cidade enquanto destino turístico.

Em 2003, Santana Lopes, enquanto presidente da câmara de Lisboa, decidiu adquirir a colecção para criar um museu exclusivamente dedicado à moda e ao design em Lisboa. A solução encontrada resultou num acordo equilibrado com o coleccionador que permite que esta colecção não se desvirtue, continue viva e se desenvolva sem perder o sentido do seu autor.

A concretização do MUDE foi atribulada e polémica. Muitos dos que hoje parecem ser entusiastas e até autores da iniciativa foram, à época, críticos do projecto. O museu que esteve planeado para outros locais de Lisboa parece ter encontrado a sua morada na Baixa. Mas um museu é sobretudo o seu conteúdo e o seu público.

O museu do design e da moda vai ser inaugurado agora mas será encerrado já em Outubro (porquê Outubro?), para depois de iniciarem as obras de adaptação do edifício para acolher em definitivo a exposição.

Então porquê inaugurar agora, assim a correr, um museu provisório? Não é estranho o facto de não ser ter vislumbrado, durante este mandato autárquico, sequer o esboço de uma política para o sector da Cultura. E muito menos estranho a todo este frenesim é o facto de se realizarem eleições autárquicas precisamente em Outubro…

Haja memória. Memória e seriedade. Na vida como na política.


texto publicado no jornal Meia Hora

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Timor Leste, 20 de Maio de 2002


Timor Leste comemora hoje 7 anos de independência. Foi o culminar da luta de um Povo que sofreu, mas não desistiu. Hoje, o presidente de Timor Leste - Ramos Horta disse: «Curvo-me perante os mártires, heróis, vítimas, ex-prisioneiros e as suas famílias». Eu também.

Há sete anos estive lá. Testemunhei o momento com emoção e com orgulho por ter, modestamente, dado o meu contributo à causa daquele nobre Povo.


Parabéns!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Terreiro do Paço: “pra que sim!”


Lisboa encontra-se privada da sua mais importante praça há mais de dez anos. Primeiro com a obra do metropolitano que teve início em 1997 e só terminou em 2007 depois de um grave acidente. Quando os lisboetas se preparavam para voltar a utilizar a “sua” praça, a SIMTEJO, decidiu voltar a esventrar a Praça do Comércio. Ainda esta não terminou e agora é anunciada a renovação urbana do espaço público da Praça do Comércio que durará mais de um ano.

Como tem sido habitual, apesar de ser uma obra em Lisboa, a câmara não é responsável por ela. Aliás, quase todas as obras que se têm realizado em Lisboa não são da iniciativa da CML mesmo que muitas vezes pareçam, tal é o protagonismo que o presidente da câmara delas pretende retirar.

Desta vez a intervenção é da responsabilidade da Sociedade Frente Tejo em que a câmara deveria ter participado mas recusou. E era importante ter-se envolvido. A Câmara não pode demitir-se de ter uma palavra determinante na gestão de zonas tão importantes da cidade. O alheamento é uma atitude mais confortável, mas não é a correcta.

O projecto para a renovação da Praça do Comércio foi apresentado. Mas muito para além das soluções propostas com um desenho e uso de materiais muito discutível, importava que estas soluções fossem precedidas por um programa de dinamização daquela praça. Esse deveria ter sido o primeiro passo: decidir como se pretende utilizar. Só depois, e em função disso, a solução adequada. Uma vez mais, as coisas foram feitas ao contrário.

Tal como com a iniciativa fracassada de fecho do Terreiro do Paço aos Domingos, uma vez mais, a resposta à pergunta: “Pra quê esta intervenção na Praça do Comércio?” talvez seja “pra que sim!”.

Texto publicado no jornal "Meia Hora"