
quinta-feira, 25 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Vale tudo!

O Parque da Bela Vista receberá um evento de promoção de um hipermercado no próximo Sábado. É um almoço com um concerto de Tony Carreira no âmbito de uma campanha publicitária do hipermercado Modelo
O Parque da Bela Vista é um espaço público municipal cuja responsabilidade é do vereador com o pelouro dos espaços verdes - José Sá Fernandes.
Sim, o mesmo Sá Fernandes que tanto criticou a realização do Rock in Rio naquele espaço, agora parece que não só autoriza, como apoia e até é co-organizador do concerto de Tony Carreira num período pré-eleitoral tão conveniente... Não há palavras para tamanha falta de coerência, para tanto oportunismo.
Mas também não posso deixar de registar a passividade (suponho que concordância) de todos quantos no passado fizeram questão de criticar, de atacar com tanta militância e agressividade a utilização daquele espaço para a realização de eventos musicais e culturais e de lazer.
Então e onde está o protocolo para realização do evento previamente discutido em reunião da CML? Esqueceam-se... E o acompanhamento do Observatório do Parque da Bela Vista? Já não é preciso... E quais são as contrapartidas? Depois veremos... E a isenção de taxas proposta à Assembleia Municipal? ? Não me digam que o Modelo vai pagar taxas? Claro que não!
Este concerto de Tony Carreira é uma organização conjunta dos hipermercados Modelo e da câmara municipal... Extraordinário! Mas agora tudo é permitido. Agora vale tudo!
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Lisboa - navegação à vista
O actual mandato da Câmara Municipal de Lisboa fica marcado por um conjunto de intervenções em Lisboa que prejudicam a cidade e que têm em comum o facto de serem de iniciativa do governo, mas que contaram com o apoio empenhado do actual presidente da câmara. Aliás, à falta de obra para apresentar, António Costa julgou poder capitalizar com estas intervenções.
Primeiro a terceira travessia do Tejo, depois a ampliação do terminal de contentores de Alcântara, mais recentemente a intervenção no Terreiro do Paço. Em todos os casos, António Costa, que começou por ser apoiante entusiasta daquelas intervenções na cidade, percebeu que eram intervenções amplamente condenadas pelos munícipes e pela opinião pública. Então, rapidamente procurou mudar de opinião e encenar aparentes discordâncias para logo de seguida aparecer como responsável pelas alterações (na verdade apenas cosméticas) impostas aos projectos.
Com a terceira travessia do Tejo, António Costa acabou a reivindicar que a ponte baixasse dois ou três metros e que fosse incluída a patética pista ciclável na ponte. Mas mantêm-se as dezenas de milhares de automóveis a entrar diariamente na cidade. No caso do terminal de contentores prometeu um jardim enquanto a operadora não necessite do espaço e exigiu uns corredores para se ver o rio entre os contentores. Mas mantém-se o muro de contentores e o aumento dos camiões em Lisboa. Quanto ao Terreiro do Paço afinal já não acha o projecto magnífico e provavelmente acabará a condenar a intervenção.
Lisboa é governada ao sabor de iniciativas de terceiros e condicionada pelas reacções em cada momento, sem iniciativa própria e com obsessão pela popularidade e pelas consequências eleitorais.
texto publicado no jornal Meia Hora
Primeiro a terceira travessia do Tejo, depois a ampliação do terminal de contentores de Alcântara, mais recentemente a intervenção no Terreiro do Paço. Em todos os casos, António Costa, que começou por ser apoiante entusiasta daquelas intervenções na cidade, percebeu que eram intervenções amplamente condenadas pelos munícipes e pela opinião pública. Então, rapidamente procurou mudar de opinião e encenar aparentes discordâncias para logo de seguida aparecer como responsável pelas alterações (na verdade apenas cosméticas) impostas aos projectos.
Com a terceira travessia do Tejo, António Costa acabou a reivindicar que a ponte baixasse dois ou três metros e que fosse incluída a patética pista ciclável na ponte. Mas mantêm-se as dezenas de milhares de automóveis a entrar diariamente na cidade. No caso do terminal de contentores prometeu um jardim enquanto a operadora não necessite do espaço e exigiu uns corredores para se ver o rio entre os contentores. Mas mantém-se o muro de contentores e o aumento dos camiões em Lisboa. Quanto ao Terreiro do Paço afinal já não acha o projecto magnífico e provavelmente acabará a condenar a intervenção.
Lisboa é governada ao sabor de iniciativas de terceiros e condicionada pelas reacções em cada momento, sem iniciativa própria e com obsessão pela popularidade e pelas consequências eleitorais.
texto publicado no jornal Meia Hora
terça-feira, 9 de junho de 2009
domingo, 7 de junho de 2009
Às pressas...
Sá Fernandes parece que pôs tudo num virote. Anda frenético a tentar deixar umas obras. De tanta precipitação anda a falhar os prazos. Já não se percebe bem se o importante é anunciar que se fez mesmo sem ter concluído ou fazer alguma coisa com princípio meio e FIM...
Esta foto foi tirada no dia 30 de Maio... Atentem na data que está no vistoso cartaz na Alta de Lisboa...

quinta-feira, 4 de junho de 2009
Terreiro do Paço - direito à indignação
O estudo prévio do projecto do Terreiro do Paço foi aprovado em reunião da câmara municipal de Lisboa na passada semana.
A proposta apresentada impõe alterações significativas na praça, modificando o pavimento nos materiais, no desenho e até em altura. Altera as circulações e a configuração da zona central, chegando a propor a criação de degraus.
O Terreiro do Paço é a praça mais importante da cidade e seguramente uma das mais importantes do país.
Não é aceitável que a intervenção seja da iniciativa de uma sociedade criada pelo governo sem participação da câmara municipal no capital ou na administração, mas que serve os intuitos do presidente da câmara e conta com a sua aprovação.
Não é compreensível que alterações num espaço tão relevante para a cidade sejam efectuadas sem concurso.
Não é admissível que uma operação tão profunda naquela praça não seja precedida de uma ampla e participada discussão pública.
A pressa, o desespero em querer apresentar obra, qualquer obra para as eleições autárquicas, quando durante todo o mandato nada fez na cidade, leva António Costa a agir de forma irresponsável e a desrespeitar a cidade e os lisboetas.
Não pode, alguém que passa pela presidência da câmara, em fim de mandato, e por razões eleitoralistas, usar a praça mais importante da cidade como instrumento para iludir os lisboetas com obras que ficaram por fazer na cidade.
Perante a situação de atropelo às mais elementares regras de bom senso e de responsabilidade no governo da cidade, os lisboetas têm de se mobilizar para travar este atentado à cidade de Lisboa. Para além da indignação temos de agir! Temos de parar esta irresponsabilidade.
texto publicado no jornal Meia Hora
A proposta apresentada impõe alterações significativas na praça, modificando o pavimento nos materiais, no desenho e até em altura. Altera as circulações e a configuração da zona central, chegando a propor a criação de degraus.
O Terreiro do Paço é a praça mais importante da cidade e seguramente uma das mais importantes do país.
Não é aceitável que a intervenção seja da iniciativa de uma sociedade criada pelo governo sem participação da câmara municipal no capital ou na administração, mas que serve os intuitos do presidente da câmara e conta com a sua aprovação.
Não é compreensível que alterações num espaço tão relevante para a cidade sejam efectuadas sem concurso.
Não é admissível que uma operação tão profunda naquela praça não seja precedida de uma ampla e participada discussão pública.
A pressa, o desespero em querer apresentar obra, qualquer obra para as eleições autárquicas, quando durante todo o mandato nada fez na cidade, leva António Costa a agir de forma irresponsável e a desrespeitar a cidade e os lisboetas.
Não pode, alguém que passa pela presidência da câmara, em fim de mandato, e por razões eleitoralistas, usar a praça mais importante da cidade como instrumento para iludir os lisboetas com obras que ficaram por fazer na cidade.
Perante a situação de atropelo às mais elementares regras de bom senso e de responsabilidade no governo da cidade, os lisboetas têm de se mobilizar para travar este atentado à cidade de Lisboa. Para além da indignação temos de agir! Temos de parar esta irresponsabilidade.
texto publicado no jornal Meia Hora
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Contas de verdade
Desde de 2007, com as eleições intercalares em Lisboa, foi sendo construída a ideia de que os anos de gestão do PSD foram despesistas. Foi uma estratégia deliberada e que serviu para que o PS vencesse as eleições de então. Baseada em interpretações equívocas mas muito úteis para o PS, numa situação em que o PSD se encontrava fragilizado, a ideia de que foi a gestão de Santana Lopes que aumentou o endividamento da câmara instalou-se. Esta é uma ideia errada. Não corresponde à verdade. O partido socialista sabe-o melhor que ninguém, mas serviu para que António Costa ganhasse e para branquear a gestão, essa sim despesista, do próprio partido socialista durante os doze anos seguidos que governou em maioria absoluta a câmara de Lisboa.
O passivo oficial da CML em 2002, quando o PSD assumiu responsabilidades, era de cerca de 560 milhões de euros. Mas na verdade era já muito superior. Descobriram-se facturas não contabilizadas, compromissos assumidos sem documentos, obras realizadas sem processos, etc. Tudo somado, afinal, o que eram aparentemente 560 milhões eram na verdade perto de 1000 milhões de euros de passivo de responsabilidade socialista. Esta foi a situação de partida do mandato de Pedro Santana Lopes que agora António Costa quer colar ao PSD mas que é da responsabilidade do seu próprio partido.
Agora que o período eleitoral autárquico se aproxima, é muito importante saber com que contas se parte. Vale a pena assumir a verdade. Quem governa assume responsabilidades de gestões anteriores e transmite novas responsabilidades às gestões futuras. Como na vida, o importante é que se faça com verdade. Quem tem medo da verdade?
texto publicado no jornal Meia Hora
O passivo oficial da CML em 2002, quando o PSD assumiu responsabilidades, era de cerca de 560 milhões de euros. Mas na verdade era já muito superior. Descobriram-se facturas não contabilizadas, compromissos assumidos sem documentos, obras realizadas sem processos, etc. Tudo somado, afinal, o que eram aparentemente 560 milhões eram na verdade perto de 1000 milhões de euros de passivo de responsabilidade socialista. Esta foi a situação de partida do mandato de Pedro Santana Lopes que agora António Costa quer colar ao PSD mas que é da responsabilidade do seu próprio partido.
Agora que o período eleitoral autárquico se aproxima, é muito importante saber com que contas se parte. Vale a pena assumir a verdade. Quem governa assume responsabilidades de gestões anteriores e transmite novas responsabilidades às gestões futuras. Como na vida, o importante é que se faça com verdade. Quem tem medo da verdade?
texto publicado no jornal Meia Hora
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Biodiversidade

22 de Maio – Dia Internacional da Diversidade Biológica
Criado em 1993 pelas Nações Unidas, o Dia Internacional da Diversidade Biológica visa chamar a atenção para a importância da conservação da biodiversidade, convidando em 2009 à reflexão sobre os efeitos nocivos das espécies exóticas invasoras.
As Nações Unidas proclamaram o dia 22 de Maio como o Dia Internacional da Diversidade Biológica com o intuito de promover a consciencialização da sociedade relativamente aos problemas que a biodiversidade enfrenta actualmente.
Quando criada em 1993 e nos anos que se seguiram a ocasião celebrou-se a 29 de Dezembro, dia da entrada em vigor da Convenção sobre a Diversidade Biológica em 1993. No entanto, no ano 2000 a Assembleia Geral das Nações Unidas alterou a data de celebração para 22 de Maio, data em que o texto da convenção foi aprovado em 1992. Isto deveu-se, em parte, à impraticabilidade da data original, coincidindo com o período festivo do fim do ano, o que dificultava a organização das celebrações.
Depois de em 2007 o dia ter sido dedicado ao tema da Biodiversidade e Alterações Climáticas e de em 2008 ter sido focada a relação entre a Biodiversidade e a Agricultura, em 2009 o dia 22 de Maio convida à reflexão sobre as espécies exóticas invasoras e os seus efeitos nocivos sobre a Biodiversidade (saiba mais sobre o tema em www.cbd.int/idb/2009).
Criado em 1993 pelas Nações Unidas, o Dia Internacional da Diversidade Biológica visa chamar a atenção para a importância da conservação da biodiversidade, convidando em 2009 à reflexão sobre os efeitos nocivos das espécies exóticas invasoras.
As Nações Unidas proclamaram o dia 22 de Maio como o Dia Internacional da Diversidade Biológica com o intuito de promover a consciencialização da sociedade relativamente aos problemas que a biodiversidade enfrenta actualmente.
Quando criada em 1993 e nos anos que se seguiram a ocasião celebrou-se a 29 de Dezembro, dia da entrada em vigor da Convenção sobre a Diversidade Biológica em 1993. No entanto, no ano 2000 a Assembleia Geral das Nações Unidas alterou a data de celebração para 22 de Maio, data em que o texto da convenção foi aprovado em 1992. Isto deveu-se, em parte, à impraticabilidade da data original, coincidindo com o período festivo do fim do ano, o que dificultava a organização das celebrações.
Depois de em 2007 o dia ter sido dedicado ao tema da Biodiversidade e Alterações Climáticas e de em 2008 ter sido focada a relação entre a Biodiversidade e a Agricultura, em 2009 o dia 22 de Maio convida à reflexão sobre as espécies exóticas invasoras e os seus efeitos nocivos sobre a Biodiversidade (saiba mais sobre o tema em www.cbd.int/idb/2009).
quinta-feira, 21 de maio de 2009
MUDE
No dia 21 de Maio é inaugurado o MUDE - Museu do Design e da Moda em Lisboa. Este museu resulta da colecção de Francisco Capelo e reúne um dos mais importantes conjuntos de peças representativas do design e da moda do mundo no século XX. Lisboa junta à sua importante oferta cultural um museu de dimensão internacional. É um facto relevante no quadro da valorização da cidade enquanto destino turístico.Em 2003, Santana Lopes, enquanto presidente da câmara de Lisboa, decidiu adquirir a colecção para criar um museu exclusivamente dedicado à moda e ao design em Lisboa. A solução encontrada resultou num acordo equilibrado com o coleccionador que permite que esta colecção não se desvirtue, continue viva e se desenvolva sem perder o sentido do seu autor.
A concretização do MUDE foi atribulada e polémica. Muitos dos que hoje parecem ser entusiastas e até autores da iniciativa foram, à época, críticos do projecto. O museu que esteve planeado para outros locais de Lisboa parece ter encontrado a sua morada na Baixa. Mas um museu é sobretudo o seu conteúdo e o seu público.
O museu do design e da moda vai ser inaugurado agora mas será encerrado já em Outubro (porquê Outubro?), para depois de iniciarem as obras de adaptação do edifício para acolher em definitivo a exposição.
Então porquê inaugurar agora, assim a correr, um museu provisório? Não é estranho o facto de não ser ter vislumbrado, durante este mandato autárquico, sequer o esboço de uma política para o sector da Cultura. E muito menos estranho a todo este frenesim é o facto de se realizarem eleições autárquicas precisamente em Outubro…
Haja memória. Memória e seriedade. Na vida como na política.
texto publicado no jornal Meia Hora
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Timor Leste, 20 de Maio de 2002

Timor Leste comemora hoje 7 anos de independência. Foi o culminar da luta de um Povo que sofreu, mas não desistiu. Hoje, o presidente de Timor Leste - Ramos Horta disse: «Curvo-me perante os mártires, heróis, vítimas, ex-prisioneiros e as suas famílias». Eu também.
Há sete anos estive lá. Testemunhei o momento com emoção e com orgulho por ter, modestamente, dado o meu contributo à causa daquele nobre Povo.
Parabéns!
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Terreiro do Paço: “pra que sim!”

Lisboa encontra-se privada da sua mais importante praça há mais de dez anos. Primeiro com a obra do metropolitano que teve início em 1997 e só terminou em 2007 depois de um grave acidente. Quando os lisboetas se preparavam para voltar a utilizar a “sua” praça, a SIMTEJO, decidiu voltar a esventrar a Praça do Comércio. Ainda esta não terminou e agora é anunciada a renovação urbana do espaço público da Praça do Comércio que durará mais de um ano.
Como tem sido habitual, apesar de ser uma obra em Lisboa, a câmara não é responsável por ela. Aliás, quase todas as obras que se têm realizado em Lisboa não são da iniciativa da CML mesmo que muitas vezes pareçam, tal é o protagonismo que o presidente da câmara delas pretende retirar.
Desta vez a intervenção é da responsabilidade da Sociedade Frente Tejo em que a câmara deveria ter participado mas recusou. E era importante ter-se envolvido. A Câmara não pode demitir-se de ter uma palavra determinante na gestão de zonas tão importantes da cidade. O alheamento é uma atitude mais confortável, mas não é a correcta.
O projecto para a renovação da Praça do Comércio foi apresentado. Mas muito para além das soluções propostas com um desenho e uso de materiais muito discutível, importava que estas soluções fossem precedidas por um programa de dinamização daquela praça. Esse deveria ter sido o primeiro passo: decidir como se pretende utilizar. Só depois, e em função disso, a solução adequada. Uma vez mais, as coisas foram feitas ao contrário.
Tal como com a iniciativa fracassada de fecho do Terreiro do Paço aos Domingos, uma vez mais, a resposta à pergunta: “Pra quê esta intervenção na Praça do Comércio?” talvez seja “pra que sim!”.
Texto publicado no jornal "Meia Hora"
domingo, 17 de maio de 2009
Sobre o Terreiro do Paço
«A apresentação pública do projecto do Terreiro do Paço é um momento simbólico importante. Hesitei sobre se deveria participar no debate. Tenho a maior consideração, respeito e estima pelo arq. João Biencard Cruz, que me sucedeu na Frente Tejo e que convidara para meu braço-direito; fui eu quem tomou a decisão de pedir ao arq. Bruno Soares - um grande arquitecto e uma pessoa de bem, como Biencard - para continuar o trabalho que estava já a fazer na área. Mas, tudo ponderado, acho que devo falar.O objectivo que definira era que se fizesse um restauro da praça, tendo presente que ela é simultaneamente uma praça real setecentista e um espaço da sociedade burguesa que se lhe seguiu. O caderno de encargos para o projectista era conciliar o aparato com o conforto, mantendo a majestade da função inicial com os usos para os cidadãos e os turistas que a adaptassem à realidade do século XXI.
Os constrangimentos de tempo impostos pelas comemorações do Centenário da República, a necessidade de que não fosse ultrapassado o orçamento e o facto de a criatividade contemporânea não ser manifestamente essencial, levou-me a defender a adjudicação directa, ao contrário de todos os outros projectos da Frente Tejo, que seriam feitos por concurso público internacional.
Essa opção de adjudicação directa ia com as seguintes condições: (i) um grupo multidisciplinar de especialistas nacionais e estrangeiros seria ouvido e acompanharia o trabalho de Bruno Soares, (ii) a sociedade Frente Tejo interviria em diálogo permanente no processo de reflexão e criação do arquitecto, aprovando o anteprojecto; (iii) o debate público seria aberto a seguir; (iv) a sociedade Frente Tejo aprovaria o projecto, após tal debate, com as alterações que se justificassem.
Quando convidei Bruno Soares disse-lhe de forma clara que discordaria totalmente de qualquer projecto que optasse por desrespeitar o conteúdo ideológico e patrimonial da praça; designadamente, desejava que o projecto fosse de restauro quando possível e que o arquitecto se "apagasse" perante o património histórico-cultural existente, revelando a "modéstia" que realidades históricas deste valor exigem a quem delas se ocupa.
Sinto, por isso, que tenho o dever de afirmar que o an-teprojecto divulgado nunca teria sido aprovado por mim para submissão a discussão pública. Não acredito, aliás, que os especialistas que começara a consultar concordassem com a opção. Em primeiro lugar, o projecto afecta parte do núcleo essencial da praça. Refiro-me ao Cais das Colunas, que foi vítima do projecto do túnel do metropolitano, mas que não deveria ser alterado na sua imagem e presença. O Cais das Colunas é uma peça do século XVIII e faz parte da nossa memória colectiva. Era por ali a entrada solene em Lisboa durante séculos e até aos aviões. Não pode por isso ser alterado com a contemporânea criação de um círculo pelo terreiro a dentro. O tema chegou aliás a ser falado (alguém chegou a propor-me que fosse alargada por aterro a praça do lado do rio para facilitar o trânsito!) e fui sempre muito claro quanto a isso: a proporção da praça e os seus elementos definidores não podiam ser alterados.
Em segundo lugar, discordaria completamente da solução acrónica dos traçados em losangos, parece que inspirados em cartas de marear, que destroem o equilíbrio da praça, trazendo-a para um registo cultural inadequado. A praça era um terreiro e como tal deverá manter-se a grande parte central, evidentemente com a utilização de materiais modernos que graficamente exprimam essa realidade histórica, como está aliás proposto e mereceria a minha concordância.
Em terceiro lugar, opor-me-ia a que esses losangos sejam marcados com pedra lioz que ressalta cromaticamente do terreiro e lhe dá um movimento que seria noutro espaço sem esta carga cultural provavelmente uma excelente solução, mas aqui é como "pôr-se em bicos de pés" sobre a imensa dignidade dos quatro hectares da praça. O Barroco é um tempo de movimento, o Terreiro do Paço bem o exemplifica com a ondulação do Cais das Colunas, com as suas fachadas e com os efeitos da luz sobre elas, mas nem todo o movimento é barroco. A estrutura quadricular da praça e dos edifícios, a simetria e o eixo da Rua Augusta estendendo-se visualmente pelo estuário, servem o projecto ideológico do iluminismo. Aqui são desrespeitados em absoluto pelos traçados que sem coerência lhe pretendem acrescentar no século XXI.
Em quarto lugar, recusaria o traçado marcado no terreiro que pretende prolongar a Rua Augusta até ao rio, fazendo intervir um projecto de espaço público moderno e também acrónico em relação à majestade e à proporção existente; e isso com a agravante de que destrói a coerência entre as zonas de conforto e de passeio das arcadas e a zona de aparato da parte central, sem utilidade, e ainda mais sem necessidade, também assim contribuindo para uma cacofonia visual e policromática que é o contrário da modéstia com que se devia enfrentar o expoente de património edificado e ideológico que ali temos.
Dito isto, em relação ao que na Internet pude ver, o resto do anteprojecto parece-me corresponder integralmente a um programa coerente e adequado às funcionalidades de trânsito e de peões, há muito esperado. Reconheço que as características pessoais de Biencard Cruz e de Bruno Soares favorecem que o debate público seja por eles escutado e que soluções apresentadas sejam revistas. Mas se já era difícil cumprir calendário sem pagar preços exorbitantes nas empreitadas se me tivessem deixado trabalhar, depois do tempo perdido tudo se complicou mais. E as eleições autárquicas do Outono serão também um factor de grande pressão.
Por isso apelo para que o calendário político não obrigue a erros que serão depois na prática irreparáveis. O Marquês de Pombal fez obra, não sem antes os seus arquitectos estudarem, ponderarem, apresentarem alternativas, discutirem e com isso criou uma das melhores obras urbanas da Europa setecentista. Não queiramos ganhar--lhe em velocidade, já que dificilmente o venceríamos em qualidade.»
José Miguel Júdice, Público
Os constrangimentos de tempo impostos pelas comemorações do Centenário da República, a necessidade de que não fosse ultrapassado o orçamento e o facto de a criatividade contemporânea não ser manifestamente essencial, levou-me a defender a adjudicação directa, ao contrário de todos os outros projectos da Frente Tejo, que seriam feitos por concurso público internacional.
Essa opção de adjudicação directa ia com as seguintes condições: (i) um grupo multidisciplinar de especialistas nacionais e estrangeiros seria ouvido e acompanharia o trabalho de Bruno Soares, (ii) a sociedade Frente Tejo interviria em diálogo permanente no processo de reflexão e criação do arquitecto, aprovando o anteprojecto; (iii) o debate público seria aberto a seguir; (iv) a sociedade Frente Tejo aprovaria o projecto, após tal debate, com as alterações que se justificassem.
Quando convidei Bruno Soares disse-lhe de forma clara que discordaria totalmente de qualquer projecto que optasse por desrespeitar o conteúdo ideológico e patrimonial da praça; designadamente, desejava que o projecto fosse de restauro quando possível e que o arquitecto se "apagasse" perante o património histórico-cultural existente, revelando a "modéstia" que realidades históricas deste valor exigem a quem delas se ocupa.
Sinto, por isso, que tenho o dever de afirmar que o an-teprojecto divulgado nunca teria sido aprovado por mim para submissão a discussão pública. Não acredito, aliás, que os especialistas que começara a consultar concordassem com a opção. Em primeiro lugar, o projecto afecta parte do núcleo essencial da praça. Refiro-me ao Cais das Colunas, que foi vítima do projecto do túnel do metropolitano, mas que não deveria ser alterado na sua imagem e presença. O Cais das Colunas é uma peça do século XVIII e faz parte da nossa memória colectiva. Era por ali a entrada solene em Lisboa durante séculos e até aos aviões. Não pode por isso ser alterado com a contemporânea criação de um círculo pelo terreiro a dentro. O tema chegou aliás a ser falado (alguém chegou a propor-me que fosse alargada por aterro a praça do lado do rio para facilitar o trânsito!) e fui sempre muito claro quanto a isso: a proporção da praça e os seus elementos definidores não podiam ser alterados.
Em segundo lugar, discordaria completamente da solução acrónica dos traçados em losangos, parece que inspirados em cartas de marear, que destroem o equilíbrio da praça, trazendo-a para um registo cultural inadequado. A praça era um terreiro e como tal deverá manter-se a grande parte central, evidentemente com a utilização de materiais modernos que graficamente exprimam essa realidade histórica, como está aliás proposto e mereceria a minha concordância.
Em terceiro lugar, opor-me-ia a que esses losangos sejam marcados com pedra lioz que ressalta cromaticamente do terreiro e lhe dá um movimento que seria noutro espaço sem esta carga cultural provavelmente uma excelente solução, mas aqui é como "pôr-se em bicos de pés" sobre a imensa dignidade dos quatro hectares da praça. O Barroco é um tempo de movimento, o Terreiro do Paço bem o exemplifica com a ondulação do Cais das Colunas, com as suas fachadas e com os efeitos da luz sobre elas, mas nem todo o movimento é barroco. A estrutura quadricular da praça e dos edifícios, a simetria e o eixo da Rua Augusta estendendo-se visualmente pelo estuário, servem o projecto ideológico do iluminismo. Aqui são desrespeitados em absoluto pelos traçados que sem coerência lhe pretendem acrescentar no século XXI.
Em quarto lugar, recusaria o traçado marcado no terreiro que pretende prolongar a Rua Augusta até ao rio, fazendo intervir um projecto de espaço público moderno e também acrónico em relação à majestade e à proporção existente; e isso com a agravante de que destrói a coerência entre as zonas de conforto e de passeio das arcadas e a zona de aparato da parte central, sem utilidade, e ainda mais sem necessidade, também assim contribuindo para uma cacofonia visual e policromática que é o contrário da modéstia com que se devia enfrentar o expoente de património edificado e ideológico que ali temos.
Dito isto, em relação ao que na Internet pude ver, o resto do anteprojecto parece-me corresponder integralmente a um programa coerente e adequado às funcionalidades de trânsito e de peões, há muito esperado. Reconheço que as características pessoais de Biencard Cruz e de Bruno Soares favorecem que o debate público seja por eles escutado e que soluções apresentadas sejam revistas. Mas se já era difícil cumprir calendário sem pagar preços exorbitantes nas empreitadas se me tivessem deixado trabalhar, depois do tempo perdido tudo se complicou mais. E as eleições autárquicas do Outono serão também um factor de grande pressão.
Por isso apelo para que o calendário político não obrigue a erros que serão depois na prática irreparáveis. O Marquês de Pombal fez obra, não sem antes os seus arquitectos estudarem, ponderarem, apresentarem alternativas, discutirem e com isso criou uma das melhores obras urbanas da Europa setecentista. Não queiramos ganhar--lhe em velocidade, já que dificilmente o venceríamos em qualidade.»
José Miguel Júdice, Público
sábado, 16 de maio de 2009
Imagem de Nossa Senhora de Fátima em Lisboa

Foi um dia intenso para os católicos em particular mas para Lisboa. A imagem de Nossa Senhora de Fátima esteve hoje em Lisboa no âmbito das comemorações do cinquentenário do Cristo Rei.
Esta imagem é a que se encontra normalmente em Fátima e é a 10ª vez que sai do seu local habitual. A referida imagem foi oferecida ao Santuário de Fátima em 1920 e a sua coroa contém a bala com que atentaram contra a vida do Papa João Paulo II no dia 13 de Maio de 1981.
A imagem de Nossa Senhora de Fátima percorreu vários locais da cidade sempre acompanhada por muitos milhares de fiéis e esteve na igreja dos Anjos e na igreja de São Nicolau antes de rumar ao Terreiro do Paço onde se realizou a missa comemorativa.
O Terreiro do Paço encheu para receber mais de duas centenas de milhar de católicos. Foi um sinal muito importante para o país sobre a o papel da Fé nos dias de hoje.
Por fim a procissão no rio Tejo que levou a imagem de Nossa Senhora de Fátima até à outra margem. Centenas de embarcações de recreio acompanharam a lancha da Marinha Portuguesa que transportava a imagem. Foram imagens marcantes.
Foram sentimentos e imagens inesquecíveis para Lisboa.
Parabéns Lisboa!
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